Entrar na Vogue não foi de primeira, nem de segunda
Atualizado: 19 de fev. de 2024
Você já deve ter assistido a vários filmes sobre a carreira em moda. Mas será que é assim mesmo? Em palestra, a ex editora digital da Vogue Brasil e atual editora chefe da Bravo! fala sobre sua carreira como jornalista de moda
Por Carolina Duque
A era da tecnologia construiu novas possibilidades para a humanidade, mas foi a pandemia que transformou hábitos ainda evitáveis em algo do nosso cotidiano, como é o caso dos encontros virtuais. Com um sorriso tímido e batom vermelho vibrante, Laís entrou na sala online e já apresentou o tema da sua palestra “Carreira, perrengues e aprendizados” para a turma de alunos de jornalismo de moda da Cásper Líbero. Naquela noite quente de 18 de janeiro, ela havia chegado atrasada para a aula, mas foi perdoada na sequência já que tinha desmarcado um jantar importante com a Kenya Sade para estar ali.

Laís Franklin em palestra para alunos de Jornalismo de Moda da Cásper Líbero
"Entrar na Vogue não foi de primeira, nem de segunda. Eu bati na trave duas vezes''
Laís Franklin é jornalista há 6 anos e já carrega uma bagagem profissional de boas histórias. Ela passou por uma série de editoras e revistas renomadas como a Editora Carbono, Veja São Paulo e Vogue Brasil - um currículo de dar inveja para qualquer jornalista de moda amador. Mas se engana quem pensa que foi fácil, Laís explica que para ela o sonho de entrar na Vogue foi como o hit "The Climb” da Miley Cyrus, distante e com grandes montanhas, “Entrar na Vogue não foi de primeira, nem de segunda. Eu bati na trave duas vezes e dois anos depois eu estava disponível”, conta.

Laís Franklin (Reprodução/Instagram)
Na Vogue Brasil, Laís foi repórter de cultura e lifestyle, assistente e editora digital - cargo no qual ocupou 5 anos de profissão. Com orgulho, ela passa apressadamente por capas digitais em que ela ajudou a montar como a da Juliette e da Rebeca Andrade, e destaca um dos momentos mais marcantes de sua carreira: uma entrevista de apenas 5 minutos com Viola Davis após o sucesso da Netflix “A voz Suprema do Blues”, para ela, o momento representa as dores e delícias de fazer uma coisa pela primeira vez “Fui fazer uma limonada de um limão muito amargo, eu esperava ter mais tempo, tinha várias perguntas, e no fim fiz pouquíssimas. Mas é muito legal quando você tem aqueles momentos em que o coração bate mais forte”, explica.
Jornalismo de moda vale a pena?
Na sociedade comum muito se fala que o jornalismo vai acabar. E a afirmação até faz sentido quando observamos que a nova geração simplesmente não consome mais a tv, e muito menos o impresso. Contudo, na academia universitária a pauta é outra, afinal o jornalismo está se transformando. Não está mais só na tv ou no impresso, agora está nas redes sociais, na internet das coisas, no blog, com os influenciadores, enfim, em todo lugar. Mas, é claro, o jornalismo passou por alguns anos sombrios. Canais tiveram que se remodelar, se associar a nova cultura digital, jornais saíram das bancas e foram para o “.com” e algumas revistas, antes nas escolas e nos salões de beleza, foram descontinuadas, mas outras, por outro lado, persistem, como é o caso das revistas de moda Vogue, Elle, Harper’s Bazaar, Glamour e por aí vai.
"Se for só tecido não vale a pena"
Tais mudanças fundamentaram parte das discussões nesse encontro online, já que o assunto sobre o preconceito contra o jornalismo de moda foi levantado por uma das alunas da turma. E para Laís, o jornalismo de moda, ainda que reformulado e apesar de alguns preconceitos no mundo da comunicação, tem muito mais a colaborar do que parece, como justificativa ela exemplifica a última coleção da estilista Angela Brito que foi estampada pelo artista plástico Maxwell Alexandre, “A moda está em todos os lugares, de arte e cultura. Como diz minha amiga, se for só tecido não vale a pena e aqui é um exemplo muito bacana de como as histórias estão conectadas. Tem muita história atrás dessas estampas, nenhuma dessas obras de arte foram feitas à toa. Tem muita coisa aí pra gente pensar”, conta.
Sem receita de bolo!
Quem está estudando ou quem já se formou e caiu no mercado de trabalho sabe o quanto é difícil conseguir o emprego dos sonhos, ainda mais quando se trata de uma carreira no jornalismo de moda. Perguntas como “Existe caminho fácil?”, “Estou no caminho certo?”, “Como conseguir o emprego dos sonhos?” aterrorizam qualquer recém formado. E para a jornalista Franklin, não existe receita de bolo - embora ela sempre procure por uma nas revistas.
Para ela, o que funcionou foi criar uma conexão nos lugares em que ela sonhava trabalhar. Na palestra, ela frisa que o ideal é evitar o comum, aquilo que todo mundo faz, e demonstrar relação com o veículo em que sonha, “Eu pensava, o que eu vou fazer que entre os 50 e-mails que a pessoa receber, ela lembre do meu? Cada um tem uma essência, use ela. Usem suas potências”, aconselha.
Outras dicas apontadas pela atual editora chefe da Bravo! é a de ter uma carta de recomendação do trabalho anterior, ser curioso, ter repertório e conhecer a fundo sobre o lugar em que sonha trabalhar, além da importância em construir um portfólio profissional “Quando eu fui chamada para a entrevista de emprego na Vogue, eu reuni todo o trabalho que eu já tinha feito em um portfólio com uma carta de recomendação, as capas que eu tinha feito na veja, trabalhos, enfim, eu pautei aquela conversa com tudo o que eu já tinha feito. As possibilidades são muito amplas, dá para você criar sua própria voz digitalmente”, finaliza.
Comentários